Palavra do Diretor

Gestão da Educação e Responsabilidade Social

Por André Pina
Diretor Superintendente

Segundo o texto “País Ameaçado” de Cristovam Buarque (senador da República pelo PDT-DF e ex-ministro da educação) publicado na Folha de São Paulo de 31/01/08, “o país está ameaçado pela ‘invasão’ de um exército de 72 milhões de adultos. São os eleitores sem o ensino fundamental completo. Por causa desta ‘invasão’, dentro de 30 anos estaremos ainda mais mergulhados na violência, na corrupção, na baixa produtividade, na falta de capacidade para criar capital/conhecimento, nas desigualdades social e regional”, completa Buarque.

É impressionante mostrar que são 104 milhões de eleitores com ensino médio incompleto (58% da população brasileira), dos quais 28,8 milhões de pessoas analfabetas ou que apenas sabem ler (16% da população) e 72 milhões (40% da população) que não concluíram nem o ensino fundamental (é isso mesmo).

É bem verdade que esse percentual de analfabetos no Brasil diminuiu nos últimos anos, mas a taxa ainda é extremamente alta se comparada a países como Japão (0,2%) onde a educação é obrigatória e a lei é rígida ou Estados Unidos e Alemanha (0,10%).

Há tempos também comento sobre os baixos e sucessivos investimentos em educação nos municípios que recebem royalties de petróleo, na região da Bacia de Campos (RJ). Para termos uma idéia, em 2005 foi publicado um gráfico anual o qual mostrava que os investimentos nos últimos 5 anos em educação eram inversamente proporcionais aos das receitas provenientes do petróleo, ou seja, quanto mais receita de royalties, menor a verba destinada para saúde e educação. Inacreditável!

Se em tempos de crise no mercado mundial e forte competitividade global, onde o ensino superior completo (antigo 3º grau) é considerado básico para a formação profissional, o que dirá de uma massa populacional de praticamente 60% do nosso país sem o ensino médio completo (antigo 2º grau). Como enfrentaremos os desafios desse mundo globalizado? O que esperar da produtividade e do crescimento do nosso país? E em que bases isso se dará?

É fundamental que todos entendam que o desenvolvimento de um país não é apenas medido pelo PIB ou outros índices econômicos, tais como inflação, taxa de juros e balança comercial. O verdadeiro desenvolvimento é social, o que faz com que as pessoas cumpram as leis, sigam as regras éticas e humanitárias, desenvolvam-se, produzam conhecimento etc. Este processo somente é possível através do investimento maciço e contínuo em educação.

Contribuir, através de ações concretas, para a melhoria deste quadro e para o desenvolvimento sócio-cultural de nosso país é dever de todos e um dos objetivos da PINAMAK. Além do já tradicional programa de ação social “PINAMAK: CADA CONTRATO UMA INSTITUIÇÃO” - que há mais de 10 anos vem apoiando entidades sociais – lançaremos em 2008 o projeto “PINAMAK EDUCA”, onde em parceria com empresas privadas de ensino ofereceremos cursos técnicos e de informática em nossa filial na cidade de Macaé/RJ.

É claro que esta ação representa muito pouco perto daquilo que ainda é preciso ser feito. Mas são estas pequenas ações responsáveis por grandes mudanças e melhorias em nossas empresas, comunidades, bairros e cidades, envolvendo indiretamente centenas de pessoas. Isso nos orgulha bastante!

Assim como diz a máxima da administração: só ação muda, só ação transforma, somente a Educação poderá mudar e transformar este triste quadro e tendência que se aproxima a cada dia. Caso contrário, não seremos apenas "invadidos", como bem citado na coluna do ex-ministro, mas também "esmagados" pela grande tendência das massas reprimirem as minorias.

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