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Responsável por embelezar nosso Calendário 2007 com suas pinturas, o artista Sansão Pereira fala sobre sua história, arte e suas mais recentes obras no Brasil, como o Centenário do 14 Bis, que compõe o novo terminal de embarque do aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro
Por Adriana Pina

Avenida Atlântica, bairro de Copacabana, Rio de Janeiro. E do alto de seu apartamento com formato de ateliê, que o artista acriano Sansão Campos Pereira aos 87 anos mantém sua fonte de inspiração para a pintura de seus quadros. São traços fortes, retilíneos e bem definidos como ele. As cores são marcantes e compõe desde cenas típicas do norte e nordeste brasileiro até pequenos detalhes de uma catedral americana ou uma feira popular na Espanha.

Após parceria com nossa empresa para integrar o calendário 2007, Sansão concedeu breve entrevista, falou um pouco de suas origens, família, sua carreira como engenheiro, e é claro sobre pintura. Embora dotado de currículo internacional notável e presente com suas obras em mais de 50 galerias no mundo, a simplicidade e o bom humor resumiram a tônica de nosso bate papo com este jovem senhor que se formou em engenharia elétrica, mas que sempre gostou muito mesmo foi de pintar.

Origem & carreira
Sansão saiu do estado do Acre para cursar engenharia elétrica na universidade da Califórnia, onde se formou em 1951. Para tanto, vendeu parte das terras de seu pai, comerciante humilde da cidade de Rio Branco, para o Governo Federal, o que na época lhe rendeu o suficiente para mantê-lo nos Estados Unidos por 10 anos. Mas o gosto pela arte e a vontade que o levava sempre a pintar todos os finais de semana, aliou-se à engenharia. Em 1945, o artista iniciou também estudos de pintura na Oakland School of Art.

Após a conclusão de seus estudos na Califórnia, voltou para o Brasil para exercer durante quase 30 anos a profissão de engenheiro elétrico. Passou por empresas de construção e engenharia e dirigiu projetos de envergadura em diversas usinas pelo país a fora, como as elevatórias subterrâneas do Rio Guandu no Rio de Janeiro durante o governo de Carlos Lacerda, e a estação de bombeamento do Rio Torto em Brasília. Foi diretor técnico do moinho inglês e um dos sócios da empresa serva Ribeiro Engenharia s.a. Mas foi no final dos anos 70 quando se aposentou que resolveu então se dedicar aquilo que sempre fez nos finais de semanas e momentos de lazer: pintar.

Arte, pintura & bom humor
Em seu ateliê apreciamos muito pinturas do céu, do mar, de barcos, das curvas femininas, da natureza brasileira, do estado do Acre e de alguns cenários americanos e europeus.

Mas a presença marcante do céu e do mar em suas obras fez com que Sansão ao mesmo tempo nos explicasse e recordasse da época em que foi nadador e competidor pelo esporte clube de Jequiá no bairro da Ilha do Governador no Rio de Janeiro.

Ao ser indagado sobre suas inúmeras pinturas que ilustram as curvas femininas, Sansão diz que mesmo tendo permanecido solteiro, sempre foi um admirador das mulheres e do corpo feminino, e diz que não se casou porque na fase do besta estava ocupado demais com sua carreira e trazendo sua família toda do Acre para o Rio de Janeiro:

O homem tem a idade do besta que é entre os 20 e 30 anos. Depois que passa dos 30 ele não é mais besta, então não casa mais! Descontrai.

A precisão dos traços e a definição de cores do painel as curvas do rio Acre também nos chamou atenção no ateliê, e Sansão manteve na obra as populações ribeirinhas, explicando que em uma daquelas curvas foi o cenário da última minissérie da Rede Globo, Amazônia, e que Glória Perez gostou muito da pintura.

O tamanho enorme do painel acabou nos levando a questionar Sansão em quanto tempo costuma produzir uma pintura, e o mesmo respondeu mantendo seu jeito bem humorado de sempre: 40 anos para aprender e cinco dias para fazer!

Obras atuais em destaque:

  • Centenário do 14 Bis - novo terminal de embarque do aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro
  • As curvas do rio Acre - nova sede da prefeitura de Rio Branco
  • Catedral do Acre

Pingue & pongue com Sansão Pereira: a cada palavra, outra como resposta.
Amor, simpatia
Gosto, ódio
Pintura, inspiração
Mar, rios
Filme, "Para quem os sinos tocam (For whom the bell tolls)"
Cidade Rio Branco
Família, a minha
Um cheiro, tinta
Mulher, poeris
Homem, erudito
Guerra, paz
Comida, camarão
País, Brasil

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centenário 14 Bis

As curvas do rio Acre


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